
Momentos de Transição
As fases de transição são difíceis porque não estamos nem “lá” nem “cá”.
O fato de não sabermos como vamos nos sentir na próxima etapa gera ansiedade sobre o que vem pela frente, e medo por não se adaptar.
O fenômeno do burnout está alcançando proporções epidêmicas. De um lado, encontramos colaboradores de empresas imersos na ansiedade de alcançar sucesso profissional, submetendo-se a uma pressão pessoal intensa e sendo encorajados por vozes externas que exclamam: “Vamos lá, você consegue”, ou “Basta querer para alcançar suas metas”. Esta perspectiva, contudo, me causa desconforto.
Por quê? Inicialmente, os profissionais se mostram inquietos na preservação de seus postos de trabalho, exibindo um zelo particularmente acentuado nas fases iniciais de suas carreiras. Esse cenário gera uma competição acirrada e uma busca incansável pelo sucesso, que frequentemente excede os limites do que é psicologicamente sustentável.
Essa dinâmica é exacerbada pela presença dos chamados coaches positivistas, contratados tanto pelas empresas quanto pelos próprios funcionários, que promovem a ideia de que trabalho árduo e dedicação são chaves universais para o sucesso. Este enfoque culmina em uma problemática ampla, desembocando frequentemente em consultórios de psicologia, cardiologia e psiquiatria. O imenso estresse gerado por essas expectativas pode, infelizmente, evoluir para condições mais graves, como a depressão.
Corporações de grande porte buscam motivar seus colaboradores por meio de eventos luxuosos ou viagens de integração, com a presença de coaches destinados a sustentar essa ética de trabalho incessante. Surpreendentemente, há quem veja essas práticas como indicativos de um ambiente de trabalho ideal, por oferecer tais “benefícios”.
Contrastando com essa realidade, algumas empresas tentam oferecer melhores condições de trabalho, como mais tempo de descanso, espaços para crianças, flexibilidade quanto ao home office, e até a possibilidade de reduzir a semana de trabalho para quatro dias. Experiências em alguns países demonstram que tal redução é viável, mantendo a produtividade e eficácia.
Entretanto, o desfecho comum ainda são as clínicas de psicologia e consultórios médicos. Como psicólogos, recebemos profissionais exaustos, com problemas de saúde física e uma qualidade de vida deteriorada. Nós os acolhemos e apoiamos na busca por melhorias. Contudo, seria ideal que pudessem retornar a um ambiente de trabalho que não contribuísse para seu adoecimento.
“Somos o oceano que habitamos. Mergulhar é um ato de coragem.”
– Suélen Dominguês

As fases de transição são difíceis porque não estamos nem “lá” nem “cá”.
O fato de não sabermos como vamos nos sentir na próxima etapa gera ansiedade sobre o que vem pela frente, e medo por não se adaptar.

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